Sobre mudanças, adaptação e Ano Novo
- Lilian Liang
- 12 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Como a nossa capacidade de adaptação vai ditar a forma como vamos envelhecer
Foi o primeiro ano sem nenhum fechamento da Aptare impressa desde que comecei a trabalhar com envelhecimento. A Aptare foi o primeiro produto da Dínamo Editora, a publicação que nos tornou conhecidos no meio e o xodó da nossa redação. Estranho não ter a correria a que já estava tão habituada, que parecia manter a contagem dos meses. O processo de produzir uma revista é trabalhoso, mas é também muito bonito. Ver a edição pronta, folhear as páginas, cheirar o papel é algo mágico. Pequenos prazeres que a mídia impressa nos proporciona.
Não tive mais fechamento de revista, mas outros aprendizados me trouxeram novas descobertas e prazeres. Em 2025, tive a oportunidade de atuar como produtora executiva de dois documentários: o curta “O Envelhecer de Cada Um”, um filme lindo, lindo, que aborda a impacto das desigualdades socioeconômicas no envelhecimento; e o longa “Conversas nas Zonas Azuis – Veranópolis e as Zonas Azuis”, uma obra que apresenta os ensinamentos das zonas azuis e o Projeto Veranópolis, que finalmente saiu do forno depois de quase três anos.

Nunca, nem nos meus sonhos mais loucos, achei que um dia fosse atuar no audiovisual. Me parecia algo muito distante, pra gente já iniciada. Era tão mais fácil ficar no conforto quentinho do conhecido, atuar em projetos cujo funcionamento eu já conhecia! Mas o mercado evolui, novos projetos e novas pessoas aparecem. Cabe à gente aceitar que certas mudanças vieram pra ficar e que, para seguir adiante, é preciso abraçá-las.
Vejam, eu não estou falando que é fácil, porque mudar nunca é. Pra vocês terem ideia, eu ainda tenho dificuldade de falar com todas as letras que a Aptare impressa não existe mais. Volta e meia solto um “Ah, estamos numa pausa” ou “Estamos repensando o modelo”, quando a verdade é que a Aptare impressa não vai voltar. Mas é uma mudança tão grande pra mim que às vezes tenho medo de falar em voz muito alta.
Mas a palavra-chave nessa história toda é adaptação. E se ela é decisiva para carreiras e relacionamentos, ganha um peso ainda maior na longevidade. As redes sociais criam uma ilusão de que envelhecer bem é estar imune a perdas e declínios, mas essa percepção é exatamente isso: uma ilusão. O envelhecimento vem acompanhado de perdas, ponto. Elas podem ser maiores ou menores, dependendo de uma infinidade de fatores, mas ninguém passa ileso. Mas – e aqui vem a boa notícia – não estamos completamente à mercê dessas perdas, se soubermos nos adaptar a elas.
E quem diz isso não sou eu, são as muitas pessoas idosas com quem já conversei em quase 15 anos atuando na área. Já vi exemplos belíssimos e inspiradores de idosos que se adaptaram a perdas e mudanças, e que seguem vivendo vidas ricas e cheias de propósito. É essa capacidade de adaptação que vai definir como vamos envelhecer. Como nos ajustamos às novas realidades é que vai ditar o tom dos anos adicionais que ganhamos.
Meu desejo mais sincero para 2026 é que estejamos abertos às mudanças e dispostos a exercer nossa capacidade de adaptação com alegria e presença. Quem sabe o que nos espera no novo ano?
Boas Festas e Feliz 2026!




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