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Medicina de estilo de vida e seu impacto na saúde mental

A medicina de estilo de vida, focada em prevenção, ainda é a melhor forma de se cuidar da saúde mental, segundo Arthur Guerra, professor titular de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Medicina do ABC e professor associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. 


Sua aula foi uma das palestras do primeiro dia do Congress on Brain, Behavior and Emotions – Brain 2024, realizado entre os dias 26 e 29 de junho no Rio de Janeiro.


Segundo ele, uma série de fatores estão envolvidos nesse tipo de abordagem. 


A primeira delas é o sono, que ele considera fundamental. No entanto, diante do uso disseminado de sedativos e hipnóticos nos tempos atuais, Guerra foi crítico em relação ao uso do zolpidem, que vê como um medicamento que causa alto grau de dependência. “Não conheço ninguém que faça uso de forma controlada. Nós atendemos casos em que pessoas fazem uso de 4, 5, 10, 12, 30, 50 comprimidos por dia”, contou.


O psiquiatra também falou do uso de álcool e drogas. “Eu não sou contra o uso  do álcool. Sou contra o abuso do álcool”, explicou. Já em relação às drogas, focou sua fala na maconha. “Eu admito que as pessoas possam usar maconha e não ter problemas. Mas não é o que eu vejo na minha prática. E quanto mais cedo a pessoa começa a usar, mais grave sua situação”, disse. Isso não significa, no entanto, que ele descarte o uso do canabidiol medicinal em determinadas situações.


Outro aspecto da medicina de estilo de vida citado por Guerra foi a alimentação e o peso. “Eu peço para meus pacientes me mandarem o peso na balança todas as manhãs”, afirmou. “É importante estar dentro do peso para a autoestima, para esporte, para dormir bem.”


O manejo do estresse foi outro ponto levantado em sua palestra. “Apesar de ser médico psiquiatra, sou muito cuidadoso com o uso de medicamentos. Eu acho que muitas vezes, quanto menos remédio, melhor”, declarou. Não raro ele diz recomendar o wash-out a seus pacientes – uma espécie de limpeza, em que todos os medicamentos são suspensos para se entender qual o estado real da pessoa. No lugar dos medicamentos, Guerra se mostra a favor do uso de mindfulness ou meditação para o controle de estresse.


Exercícios físicos também são essenciais na medicina de estilo de vida. O psiquiatra inclui o esporte de maneira sistemática no tratamento de seus pacientes. “Eu prometo a eles que eles vão tomar menos remédios se fizerem mais esportes”, disse, afirmando ser essa uma estratégia que geralmente dá certo. 


Ele ressaltou também a importância de o médico ter que dar o exemplo, portanto, também praticar algum esporte. Aos 70 anos, Guerra é maratonista e triatleta e acompanha seus pacientes em suas próprias jornadas contra o álcool e as drogas, sua principal área de atuação. Ele também organiza a Corrida pela Saúde Mental, com pacientes e familiares, que chega a reunir 150 pessoas.


Um outro fator essencial na medicina de estilo de vida são as amizades e os relacionamentos. “Num mundo de relações tóxicas e amizades difíceis, eu falo claramente para meus pacientes: se houver alguém que não te acrescenta, não dê corda”, disse.


Por último, ele citou a espiritualidade como parte da lista. “A parte espiritual é diferente da parte religiosa”, disse ele, citando sua inúmeras viagens a Bahia como forma de se conectar com seu lado espiritual.


Sua experiência com a medicina de estilo de vida o levou a escrever um livro com um de seus pacientes, o publicitário Nizan Guanaes, intitulado “Você aguenta ser feliz? – Como cuidar da saúde física e mental para ter qualidade de vida” (Editora Sextante). Ele tem dois mais livros em desenvolvimento: um com a chef de cozinha Morena Leite e outro com a triatleta Fernanda Keller.






Saúde mental e longevidade


Os fatores destacados por Guerra coincidem em grande parte os Power 9 do jornalista Dan Buettner, um dos responsáveis por descobrir as blue zones. Os Power 9 são nove fatores que, segundo as pesquisas, contribuem para a longevidade extrema nessas regiões. Entre os pontos em comum estão espiritualidade, amizade e relacionamentos, atividade física, alimentação e manejo do estresse.

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